quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Só faltou o Olimpo para Oscar


O meu amor pelo esporte começou com o basquete. Herdei o amor às cestas de um avô distante, mas fã incondicional de Norminha e Maria Helena Cardoso. Eu, na época, era torcedora incondicional da Magic Paula, sempre mudando de time para torcer por ela, ainda mais quando os principais embates eram contra a equipe da rainha Hortência.

Bons tempos esses em que o basquete do interior e da capital tinham campeonatos fortíssimos, repletos das estrelas nacionais e com transmissão na TV. Talvez hoje, com o NBB isso possa reacender o amor ao esporte que já foi o segundo lugar no coração dos brasileiros, antes de o nosso vôlei começar a ganhar tudo e mais um pouco.

Oscar é recordista de pontos em Olimpíadas

Dos meus ídolos do basquete masculino estão Guerrinha, Pipoca, Marcel e, claro, Oscar Schmidt que, por três temporadas ganhou títulos com o imbatível time do Corinthians.

No entanto, mais que representar um clube, Oscar foi a cara do Brasil nas quadras. Talvez nenhum atleta conseguirá tal façanha. Não que seja impossível marcar mais pontos, jogar mais Olimpíadas, mas porque dificilmente outro atleta terá a garra e a raça do Mão Santa.
Em quadra, Oscar vestia a camisa, brigava, xingava, acertava e errava e, tal como os mortais, mostrava ser possível sim correr atrás dos sonhos. O dele, talvez fosse uma medalha olímpica que, por obra do destino, jamais veio para seu peito. Entretanto, o Mão Santa sempre foi o campeão do compromisso, da vontade e da luta diária dos brasileiros que ultrapassam muitos obstáculos para chegar ao seu destino.

E temos que reconhecer isso. Mas no País onde só o futebol nos interessa, esquecemos de reverenciar personagens de nossa história esportiva e temos que ver os EUA indicando Oscar para o Hall da Fama do Naismith Memorial Basketbal, celebrando sua carreira no basquete.

Os trâmites são complicados para chegar lá, mas a carreira de Oscar provará que ele merece lugar de destaque neste memorial e, assim, tal qual Ubiratan e Hortência, engrossará a fila de brasileiros que merecem tal honraria.

E você Brasil? Quando fará algo para homenagear Oscar, João do Pulo, Adhemar Ferreira da Silva, Maria Esther Bueno e tantos outros? Estamos esperando...


P.S. O Corinthians homenageou o cestinha em seu memorial




terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A tábua de salvação


Desde 2002, quando conquistou o pentacampeonato no Mundial na Copa Japão-Coreia o futebol brasileiro nunca mais foi o mesmo. Pouco a pouco foi descendo no ranking da Fifa – se é que ele diz algo real sobre futebol – e perdendo o brilho de outrora.

Acontece que ficamos mal acostumados. Desde 1958 sempre fomos apontados mundo afora como o melhor time do mundo – com raras exceções  -, como celeiro de craques e donos de uma sabedoria fenomenal em questões de dribles.

Mas o futebol mudou e, com o tempo, as outras seleções aprenderam com nós mesmos  – através da globalização do futebol – a  jogar bonito, com inteligência e aproveitando a técnica individualizada de seus craques.

Conquista alvinegra ajudou Brasileirão em ranking

Além disso, o esporte tornou-se mais dinâmico, exigindo dos atletas preparo físico o que, muitas vezes, acaba sobressaindo à técnica e à genialidade. E foi aí que, por muito tempo, o Brasil se perdeu. Afinal, será que sabemos jogar por resultado, sem dar espetáculo?

Na Copa de 1994, sob o comando de Parreira, fizemos a lição de casa e ganhamos o título com apenas lampejos do nosso futebol através de Romário e Bebeto. Já em 2002, Felipão tinha em mãos um time mais técnico e com duas estrelas no auge: Ronaldo e Rivaldo, sem contar Ronaldinho Gaúcho que fez uma boa Copa.

Depois só tivemos desastres com o quadrado mágico em 2006 e com um time bem abaixo da média em 2010 que, pasmem, tinha no elenco jogadores de pouca categoria como Grafite.

Entretanto, se na Seleção passamos por uma crise, nos clubes temos a tábua de salvação do futebol brasileiro. As recentes conquistas de Santos, Corinthians e São Paulo no futebol sul-americano e mundial, no caso do alvinegro do Parque São Jorge, começam dar uma pontinha de esperança ao torcedor brasileiro.

Temos craques sim! Neymar, Lucas e Paulinho hoje são unânimes. E, se Felipão souber usar o poder das individualidades desses craques, somada à categoria de bons jogadores como Marcelo, David Luís, Thiago Silva, Daniel Alves, Ramires, Oscar e tantos outros, podemos fazer bonito na Copa disputada em casa.

Enquanto isso não se concretiza, cabe aos clubes nacionais o papel de representar o Brasil mundo afora mostrando que sim, ainda temos um bom futebol e podemos voltar ao topo do mundo.

Isso já se reflete em números – controversos ou não. Afinal, a recente conquista do Campeonato Mundial de Clubes da Fifa pelo Corinthians elevou o Brasileirão, de acordo com ranking Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), como o segundo campeonato nacional mais forte do mundo, ficando atrás apenas do campeonato espanhol.

Se isso mostra que estamos no caminho certo só o tempo dirá. No entanto, não há dúvidas de que, como no passado do Santos, de Pelé; no Botafogo, de Garrincha e no Cruzeiro, de Tostão, serão os clubes os responsáveis a levar o futebol brasileiro de volta ao seu lugar como protagonista no mundo da bola. É só não perder o foco.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dai a Messi o que é de Messi!


Na tarde desta segunda-feira (7/1), conheceremos melhor jogador do mundo em 2012 segundo eleição da Fifa.

Não é preciso dizer que dos três indicados – Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta – o argentino dispara como principal candidato a levar pela quarta vez a Bola de Ouro, garantindo ao atacante do Barcelona e da Seleção argentina mais um recorde. Afinal, o brasileiro Ronaldo Nazário, até ano passado, era o maior vencedor da eleição da Fifa com três troféus.

Messi comemorando um dos 91 gols do ano

Há quem conteste a ‘idolatria’ da mídia em relação ao argentino. No entanto, os números mostram que Messi é disparado o melhor jogador do mundo há anos.  Não há como brigar com isso.

Embora a temporada passada tenha sido escassa em termos de títulos, Messi seguiu fazendo seu papel. Se hoje o Barcelona não é mais ‘invencível’, seu principal atacante continua sendo genial. Sem alardes na mídia, o ‘Pulga’ mantém a vida pessoal fora dos holofotes, renovou o contrato com o time catalão até 2016, recebeu um gordo aumento de salário (10,5 milhões de euros por ano) e retribuiu ao clube o que mais sabe fazer: gols.

Somente em 2012, o jogador foi às redes 91 vezes, batendo o recorde de Gerd Müller, que perdurava 40 anos. Além disso, não se machuca, joga praticamente por toda temporada e não reclama de nada, só chora quando perde.

E tem mais. Quando duvidaram de sua capacidade de brilhar pela seleção argentina, ele se tornou o principal nome da equipe rumo à classificação para a Copa de 2014 apresentando em campo a mesma maestria com que conduz o Barça no Camp Nou.

Tem como duvidar de sua genialidade? Messi nasceu para o futebol como Einstein nasceu para a ciência. Dissociá-lo da bola e dos gramados seria heresia.

Triste é a condição de grandes jogadores como Iniesta e Cristiano Ronaldo que, por fazerem parte da mesma geração do argentino, sempre ficarão à sombra de sua genialidade. Mas não foi assim com Pelé? Porque contestar que, agora, o reino da bola tenha um dono com sotaque castelhano?

Amigos, dêem a Messi o que é de Messi: o reino da bola. E se curvem, há um novo rei a caminho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Até quando?


Chegamos ao século XXI e, infelizmente, lutas de séculos ou décadas atrás permanecem vivas em nosso cotidiano.

Assustei novamente ontem quando li a notícia de que o Milan saiu de campo durante amistoso com o Pro Patria, equipe da terceira divisão italiana, após a torcida do pequeno clube fazer cânticos racistas contra os jogadores negros do rossonero.

A atitude do Milan em sair de campo frente ao preconceito descarado destes torcedores foi um ato corajoso e mostra que nem todo italiano é fascista, mas mostra o quanto o País ainda está impregnado com os ideais de um regime derrotado na II Guerra Mundial e que levou à morte de dezenas de negros, judeus, homossexuais, ciganos e tantas outras raças e etnias durante os anos do governo Mussolini.

Boateng se revoltou e deixou o campo após cantos racistas

O futebol, um dos esportes mais globalizados do mundo, é o que mais sofre com atitudes racistas como estas. Recentemente, em outubro de 2012,  a Lazio, também da Itália, foi punida pela UEFA após a torcida entoar cantos racistas contra jogadores do Tottenham, durante partida da Liga Europa. O clube teve que desembolsar 40 mil euros devido ao ataque preconceituoso.

Também em dezembro de 2012, o brasileiro Hulk, contratado pelo Zenit, da Rússia, sofreu preconceito de uma torcida organizada do próprio clube, que é contrária à contratação de jogadores negros e homossexuais.

E os casos não param por aí. Perguntem ao Roberto Carlos, Betão e tantos outros atletas que atuam no exterior como o racismo está impregnado no futebol. E penso: o que é feito contra isso?
Punições como a da UEFA no caso da Lazio podem servir de exemplo, mas quem paga é o clube e não o torcedor racista. E aí, será que o cenário muda?

O que ajudaria a mudar este quadro seria um trabalho sócio-educativo entre os torcedores propagado pelos clubes. Ou será que, nos tempos de hoje,  Pelé, com todo seu futebol e genialidade, seria insultado por pessoas como essas? Fica a pergunta e o alerta!

Não ao racismo dentro e fora dos campos, certo?!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os dribles que Mazurkiewicz não conseguiu pegar

O tempo passa amigos! E para nossa tristeza vão-se os ídolos! Na última quarta-feira (3), o futebol perdeu mais uma de suas estrelas, o ex-goleiro da seleção uruguaia e do Atlético Mineiro, Ladislao Mazurkiewicz. Aos 67 anos, o ex-atleta faleceu em decorrência de problemas respiratórios e renais.


Ladislao Mazurkiewicz

Se você é novo e não curte muito história do futebol, certamente nunca ouviu falar nesta figura. Agora, se você tem avós ou pai fanáticos pelo esporte, com certeza ouviu falar deste arqueiro.

Na Copa dos Sonhos, a de 1970, Mazurkiewicz foi eleito um dos melhores jogadores da competição. No entanto, não foram suas defesas as responsáveis pelo estrelato, mas sim o drible de corpo dado por Pelé, na semifinal, em que o goleiro deixou que a bola passasse entre suas pernas e, por obra do destino, o Rei chutou errando o gol.

Lances geniais assim acontecem pouco nos dias de hoje. Driblar e defender com maestria tornaram-se itens raros no futebol de resultados de agora.

O fato é que Mazurkiewicz contribuiu para que hoje tivéssemos boas histórias para contar. Afinal, teve uma carreira brilhante defendendo o Peñarol de 1966, campeão da Libertadores e da Copa Intercontinental, o Atlético Mineiro (1972 a 1974), o Granada, da Espanha (1974 a 1978), o Cobreloa, do Chile (1979), e o América de Cali, da Colômbia (1981). Encerrou a carreira no Peñarol, em 1981.

Certo mesmo é que houve dois dribles que Mazurkiewicz não conseguiu pegar: o de Pelé e o da morte!

Assista ao lance histórico:





quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A luta do século (quase) 40 anos depois


Em tempos de MMA, quem tem menos de 30 anos não deve se lembrar de uma boa luta de boxe. Talvez alguns ainda se lembrem dos tempos de Popó, mas, certamente, não passaram madrugadas acordados para ver feras como Mike Tyson, George Foreman, Evander Holyfield e, porque não, Maguila, dar um show nos ringues?

Foreman no chão após ser nocauteado por Ali

Pois saibam que o maior combate de todos os tempos está prestes a completar 40 anos e, até hoje, se você perguntar para os amantes de boxe, eles certamente dirão que a luta entre Muhammad Ali e George Foreman, no Zaire,  em 1974, é o clássico dos clássicos dos ringues.

O combate tinha temperos que hoje saboreamos nas noites de UFC. Só para relembrar, basta dizer que Foreman, aos 23 anos, era o atual campeão mundial e tinha um histórico de fazer muito lutador tremer de medo: 40 vitórias, com 37 nocautes.

Livro indispensável para quem gosta 
de histórias do esporte

Aos 32 anos, Ali era um ídolo contestável nos EUA. Tinha ficado anos afastado do boxe após se recusar a lutar na guerra do Vietnã. Em sua volta aos ringues, havia decepcionado críticos e fãs com lutas sem muita maestria. Afinal, o ex-campeão mundial não demonstrava o mesmo perfil de boxeador do passado.

Neste contexto, o desafio de Ali contra Foreman aconteceu numa jogada de marketing do empresário Don King – aquele mesmo que depois caiu em desgraça por possível associação com o crime organizado – que, financiado pelo ditador do Zaire, Mobutu Sésé Seko, levou o combate para o país africano.

Apesar do aspecto marketeiro, o combate também refletia a tensão racial americana que ainda vivia sob a luta dos direitos civis dos negros. Sendo assim, Ali representava a população negra que brigava por seus direitos, enquanto Foreman era o representante do establishment da sociedade branca norte-americana.

Detalhes políticos à parte, o combate Ali x Foreman foi uma verdade aula de boxe, em que o mestre dos ringues apresentou ao novato campeão que era necessários mais que músculos para vencer. 

Ali, um atleta extremamente técnico e inteligente, logo percebeu que Foreman, apesar de muito forte, movimentava-se pouco e não fazia combates duradouros. Sendo assim, treinou para aguentar a artilharia de socos do opositor e levou a luta até o oitavo round, deixando George cansado e entregue à maestria de Ali.

A história desta luta foi contada pelo grande escritor americano Norman Mailer, aquele que foi casado com a Marilyn Monroe, no livro "A luta". Uma obra que traz detalhes da preparação deste combate inesquecível! 

Leitura quase que obrigatória para os apaixonados pelos ringues e, porque não, para os louco pelo octógono?


Assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões:




P.S. Detalhe: esta blogueira ama boxe e MMA e está doida para ver Anderson Silva lutar com Jon Jones, no que talvez, se torne o maior combate do século XXI!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012: um balanço


Com a chegada de 2013 é inevitável não fazer um balanço do ano anterior no esporte nacional e mundial.

O primeiro e mais esperado momento mundial foram o Jogos Olímpicos de Londres. Os atletas mais consagrados da competição foram Michael Phelps e Usain Bolt. O Brasil novamente decepcionou no futebol – feminino e masculino – e no vôlei masculino que estiveram prestes a conquistar o ouro. No entanto, o país revelou o ginasta Arthur Zanetti, ouro nas argolas; a judoca Sarah Menezes e a seleção brasileira de vôlei feminino que, contra todas as espectativas, novamente subiu ao todo do pódio sob o comando de José Roberto Guimarães.

No futebol, o Santos chegou ao seu centenário, mas perdeu a força de um time competitivo tendo apenas Neymar como maior estrela. 

Destaque mesmo foi o Corinthians que, sem ter um time de craques, apostou no entrosamento e na coletividade de ir em busca dos títulos que tanto sonhava e, para a tristeza de seus arquirrivais, conquistou a Taça Libertadores da América invicto em cima do Boca Juniors. Para coroar o ano, foi ao Japão e sagrou-se bicampeão mundial ao bater o britânico Chelsea. No entanto, o maior destaque das conquistas, como não podia deixar de ser, foi a Fiel Torcida que, por mais um ano, manteve-se como o maior públicos dos  campeonatos disputados. Detalhe:  time levou cerca de 30 mil torcedores para o outro lado do mundo, sendo recordista de maior deslocamento de torcidas entre continentes dos últimos anos.

Ainda em terras brasileiras, o Fluminense sagrou-se tetracampeão brasileiro numa equipe comandada pela estrela do goleiro Diego Cavalieri e do centroavante Fred.

No tênis mundial, o mundo se encantou com o jogo de sérvio Novak Djokovic, número 1 da categoria.

No futebol mundial, como nos últimos 3 anos, a estrela foi o argentino Lionel Messi que bateu o recorde de gols em uma temporada, que pertencia ao aleão Gerd Müller. Agora, o recorde é de Messi, com 91 gols. 

Alguma dúvida de que Messi será eleito, pela quarta vez, o melhor jogador do mundo em janeiro? Feliz ano novo!