domingo, 1 de maio de 2011

# PITACOS DA RODADA: 29/4 E 1/5



# No sábado a genialidade venceu. Santos e São Paulo fizeram um jogo bom, mas o placar só saiu do zero a zero depois da boa mexida no time feita por Muricy Ramalho. E, em duas jogadas geniais de Paulo Henrique Ganso, o Santos se garantiu na final do Paulistão. O São tinha chances de vencer a partida, mas Carpegiane inventou de experimentar e foi um dos principais responsáveis pela derrota. O Santos vai embalado para o México onde joga terça-feira pela Libertadores contra o América. O único problema foi a contusão de Elano, que desfalca o time nos próximos jogos.

# E no Dérbi, quem ganhou foi o equilíbrio emocional. Embora Palmeiras tenha joga muito melhor, inclusive com um a menos, prevaleceu a calma dos jogadores corinthianos. Talvez, se o Verdão tivesse reclamado e catimbado menos, certamente estaria comemorando a classificação para a final. Até Valdívia que fez o mais estardalhaço com o tal chute no vácuo, ficou a ver navios depois de se machucar tentando fazer a tão comentada jogada.Na decisão dos pênaltis as duas equipes foram bem. Mas, a responsabilidade parece ter pesado em João Vítor que teve cobrança defendida por Júlio César, o grande nome da partida por ter evitado que o time alviverde marcasse durante o tempo regulamentar com defesas dificílimas. Agora, para o Corinthians a situação é complicada: além de o Santos ter time melhor, conta com um bom técnico. Será que vai dar para o Timão?

# E o Cruzeiro continua incrível. No segundo jogo das semifinais do campeonato mineiro, goleou por 5 x 1 o América-TO. Agora, o time da Toca da Raposa enfrenta o arquirrival Atlético nas finais. E essa semana tem novo compromisso pela Libertadores contra o Once Caldas. E o Cruzeiro tem tudo para se classificar e enfrentar o vencedor do jogo Santos x América do México.

# Invencível! É assim que o Coritiba terminou o campeonato paranaense. Campeão por antecipação, o Coxa também aumentou o recorde nacional de vitórias seguidas para 23 partidas. Vem com tudo para o Brasileirão. Será que alguém segura?

# E o Flamengo de Thiago Neves, Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho sagrou-se campeão carioca invicto! Em nova decisão em cobranças de pênaltis, o Rubro-Negro bateu o Vasco, que perdeu 3 das 5 cobranças. Embora o Vasco tenha jogado melhor durante toda a partida, o time de Luxemburgo soube manter o resultado e levar a definição para a cobrança de pênaltis. O Mengão já se preparada par ao jogo durante a semana pela Copa do Brasil. Embalado, promete vir com tudo para o Brasileirão também!

# O Inter bateu o Grêmio em cobranças de pênaltis e o clássico mais famoso do Gauchão promete ainda mais emoções nos dois jogos das finais.  O time de Falcão é melhor tecnicamente que o Grêmio. Mas, como clássicos como esses são imprevisíveis, pode acontecer de tudo semana que vem. Ah, as duas equipes têm compromisso na Libertadores no meio da semana. Emoção pura!

# PETISCO DE JOGO: Bolinho instantâneo

A fase final dos principais campeonatos regionais promete muita emoção. E para passar por momentos de alegria, agonia e decepção, nada melhor que um petisco gostoso para aliviar o estresse!
Vai aí uma receita simples e fácil de fazer. Saboreie!

Bolinho Instantâneo

Ingredientes
1 pacote de macarrão instantâneo (sabor galinha caipira) cozido por 5 minutos e escorrido
1 sache de tempero do macarrão instantâneo
110g batata cozida e amassada
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
3 colheres (sopa) de salame fatiado picadinho
1 xícara (chá) de mussarela cortado em cubinhos
Orégano a gosto
1 ovo misturado com 2 xícaras (chá) de leite
Farinha de rosca para empanar

Modo de Preparo:
Numa tigela coloque o pacote de macarrão instantâneo cozido e escorrido, o sache de tempero do macarrão instantâneo, a batata cozida e amassada, o queijo parmesão, o salame, a mussarela e o orégano e misture bem até formar uma massa bem compacta.
Com as mãos, pegue pequenas porções da massa e faça bolinhas. Passe-as em na mistura de ovo com leite e em seguida na farinha de rosca (faça este processo 2 vezes). Numa panela, com óleo quente, frite as bolinhas até dourar. Escorra em papel absorvente e sirva em seguida.

17 anos sem Ayrton Senna



Em 1994, eu tinha 14 anos. Era fã incondicional de Ayrton Senna. Não perdia uma só corrida. Naquele trágico 1º de maio de 1994, eu estava em frente à TV e assisti atônita meu ídolo morrer.

Até hoje me emociono quando falo de Senna. Sempre fica aquele nó na garganta e aquela vontade de voltar no tempo e dizer a ele: – Não corre hoje não. Fica mais um tempo entre nós.

Hoje completam-se 17 anos sem meu ídolo. E para homenageá-lo, publico aqui um texto que escrevi, em 1994. Tenho certeza de que ele demonstra a emoção e o amor pelo inesquecível e insuperável Ayrton Senna.

Ayrton Senna da Silva se foi, e a imagem que vai ficar é a daquele rosto com o sorriso sempre sereno, marcado pelo temperamento de quem viveu obstinado pela vitória. A imagem de um Brasileiro que levava de carona no cockpit a 300 km por hora o orgulho de toda uma nação.

Talvez tenha sido o último ídolo capaz de despertar em nós um sentimento esgarçado chamado PATRIOTISMO.

As mãos de Ayrton Senna, quando não estavam buscando a vitória, desfraldavam sempre a bandeira de um país extremamente altivo por obra e graça de sua própria genialidade.

Ayrton Senna foi contido por um muro. Se era a fim de pará-lo, não poderia ser de outra forma. Mas naquela fração de segundos que antecedeu ao choque, a trajetória do carro desgovernado indo inoxeravelmente para o ponto do choque, o país se pegou em um instante de incredulidade. Ayrton Senna voava em direção ao muro assassino. Já não havia nenhum milagre que pudesse impedi-lo de transpor o mais cruel dos limites, não havia também  como aceitar passivamente a fatalidade, mesmo quando ficou evidente que a vida do nosso campeão não existia mais.

A imagem repetida à exaustão, como se fosse preciso convencer as pessoas de que aquilo tinha realmente acontecido. O voo tresloucado do carro, o choque, o carro se espatifando, o capacete amarelo imóvel que ainda abrigava a cabeça quebrada, o socorro que até chegar transformou um minuto e quarenta numa eternidade. Não era possível mesmo a gente se conformar. Roubar de Senna a vida é uma atrocidade do destino. É como se tivessem impedido Pelé de disputar a Copa de 70 ou de fazer o milésimo gol. Vendo-o esvaindo-se dessa forma foi como testemunhar uma injustiça contra a qual nada pode ser feito. Um absurdo que nos permite até a confissão de outro absurdo: o de desejar que o tempo voltasse para avisa-lo do perigo, ou pelo menos, para dar uma ordem a ele: vai Senna, acorda Senna, levanta daí, ganha mais essa Senna.

Parte da culpa desta tristeza tem que ser deitada da conta do próprio Ayrton Senna, porque foi ele quem firmou a imagem de invencível, própria dos heróis que preferem o risco à sua segurança pessoal, como quando ele desafiava a implacável Lei da Inércia e trocava o conforto do asfalto liso pela adversidade da pista molhada. Abatido, agora, pela própria Lei da Inércia, deixa a saudade de um homem que era respeitado até quando não era querido. Que transformava seu país em pátria e devolvia aos compatriotas o orgulho do hino sempre que chegava ao topo do pódio.

Senna se vai derrotado por um muro, uma barreira física e imóvel e intransponível, até porque não havia homem que pudesse superá-lo em movimento. Até que esta barreira interceptasse sua trajetória, Senna era um gênio, agora Senna é um anjo...


domingo, 24 de abril de 2011

# PITACOS DA RODADA 24/4/2011




• O São Paulo suou para eliminar a Porturguesa e se classificar para a semifinal do campeonato Paulista. O placar de 2 x 0 não refletiu o segundo tempo muito bem jogado pela Lusa. Graças às defesas de Rogério Ceni o Tricolor passou de fase. Vai precisar de muito mais para o jogo contra o Santos.

• Deu a lógica: o Palmeiras venceu o Mirassol por 2 x 1 com facilidade. Embora o placar não tenha sido largo, o time alviverde fez a lição de casa e se classificou para a semifinal do Paulistão contra o Timão. Destaque para o lindo gol de Valdívia.

• O Fla x Flu terminou empatado em 1 x 1 e foi decidido nos pênaltis. Embora o Fluminense tenha jogado melhor, o rubro-negro conseguiu levar o jogo até a decisão. E como pênalti não é loteria, mas reflexo de concentração e confiança, não deu para o Flu. E agora o Mengo decide o 2º turno com o Vasco. Jogo que promete!

• E o Inter conseguiu bater o Juventude por 2 x 1 e garantir sua participação na final do Gauchão contra o Grêmio. Ambas as equipes têm compromissos importantes na Libertadores antes desse encontro. A final promete!

sábado, 23 de abril de 2011

# PITACOS DA RODADA 23/4/2011


 

 
• O fim de semana decisivo dos estudais começou com a vitória do Peixe em cima da Macaca na Vila Belmiro. O placar magro (1 x 0) deu ao Santos a classificação para a semifinal. Embora a Ponte Preta tenha forçado no fim do jogo, o Santos conseguiu segurar a vitória. Destaque para o belo gol de Neymar e preocupação o a lesão de Léo que deixou o gramado após uma pancada forte no joelho. O Santos agora recarrega as baterias de olho no jogo de quarta-feira pela Libertadores. Parada dura antes da semi pelo Paulistão com o vencedor de São Paulo x Portuguesa!

• O Timão atropelou o Oeste e também garantiu a vaga para a semifinais do Paulistão. O gol de Liédson – que quebrou o jejum de 3 jogos sem marcar – abriu o placar. No finalzinho do primeiro tempo, numa bobeada da defesa e de Júlio César, o Oeste empatou a partida com gol de Fábio Santos. No segundo tempo, o Timão engrenou e, apesar da saída de Dentinho por conta de problemas estomacais, mandou no restante da partida, atormentando a defesa do Oeste. Mas, aos 19 do segundo tempo, num belo chute de William, o Alvinegro Paulista fechou o placar. Destaque para a ótima atuação de Bruno César que teve duas boas chances de gol, defendidas pelo arqueiro adversário. O Corinthians espera agora o vencedor de Palmeiras x Mirassol. 

• No campeonato carioca o Vasco bateu o Olaria por 1 x 0  – gol de Éder Luís – e garantiu vaga na final. O time que amargou um começo de ano com muitas derrotas, ressurgiu e agora briga pelo título. Fica só esperando o vencedor do Fla X Flu de amanhã para conhecer seu adversário na final.

• No campeonato mineiro, o Cruzeiro atropelou o América de Teófilo Otoni numa goleada histórica de 8 x 1. A equipe da Toca da Raposa preferiu jogar com time completo e fazer resultado no primeiro jogo das semifinais para evitar tropeços, pois seu foco durante a semana é o jogo pela Libertadores. Destaque para o golaço do argentino Montillo e para a atuação do grupo, que hoje é o melhor elenco do futebol nacional. A equipe do Cruzeiro é, de longe, fortíssima candidata ao título estadual e desponta como favorita na Libertadores e no Brasileirão. O fato é que o time deu à torcida, um chocolataço de Páscoa!

• E o Grêmio está pertinho de colocar a mão da taça do Gauchão 2011. Numa vitória apertada por 3 x 2 contra o Cruzeiro-RS. Como foi campeão do 1º turno, caso vença Inter ou Juventude na próxima semana, poderá comemorar mais um título. Se isso não acontecer, tem nova chance de ser campeão se vencer a disputa final contra o campeão do returno. E terça-feira tem mais Grêmio em campo na Libertadores! O Tricolor Gaúcho vem com tudo em 2011!

• Dia triste para os torcedores do Paraná Clube. A equipe empatou em 2 x 2 com o Arapongas e está matematicamente rebaixado para a 2ª divisão. Com uma campanha fraca, o pentacampeão paranaense não conseguiu se recuperar ao longo da competição. E se não bastasse a situação ruim, torcedores do Tricolor tentaram invadir o campo, mas felizmente foram contidos pela polícia. Agora basta reunir forças e batalhar em 2012 para voltar à 1ª divisão em 2013. #ForçaParanáClube

# PETISCO DE JOGO: Bolinho de Bacalhau com Mandioca

A rodada dos principais campeonatos regionais vão ser repletas de emoção. Afinal, estamos chegando na reta final e os campeões estaduais despontam como fortes candidatos ao Brasileirão 2011.

Para tantas emoções e aproveitando para não sair da tradição do feriado, aí vai uma receita com cara de Páscoa!

Bolinho de Bacalhau com Mandioca
 
Ingredientes:
1 k de mandioca cozida e amassada ainda quente
800 grs de bacalhau dessalgado e desfiado
5 gemas
1 molho de cebolinha
1 molho de salsinha
tempero a gosto
1 cebola pequena ralada
2 colheres de sopa de amido de milho
 

Modo de Preparo:
Amasse a mandioca e deixar esfriar. Coloque uma panela no fogo e acrescente duas colheres de azeite e a cebola ralada. Deixar dourar e misture o bacalhau. Mexa bem e deixe esfriar também.
Quando a mandioca e o bacalhau estiverem frios, junte os dois e misture o restante dos ingredientes. Amasse bastante até misturar bem. 

Unte as mãoos com óleo, faça os bolinho. Frite em óleo quente e sirva em seguida.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Inesquecível Dener!



Se você tem pouco mais que 20 anos, provavelmente não deve se lembrar que um negro magrinho e sorridente encantou os campos brasileiros. Esse jovem, de sorriso largo e futebol moleque chamava-se Denner. E eu estava no Canindé quando ele marcou um dos mais belos de sua carreira contra o Santos. E fico feliz de ter guardada em minhas retinas cenas da graciosidade de Dener em campo.

A história desse menino, que teve tão pouco tempo na Terra é tão comum quanto outras. Mas não deixar de ser uma bela história. Afinal, certamente estaria em pouco tempo entre os grandes gênios do futebol mundial e poderia estar facilmente no grupo que levantou a taça do Tetracampeonato Mundial com a Seleção em 1994. Pena que o destino não quis assim...

Com apenas 12 anos, Dener entrou pela primeira vez no Canindé para defender a Portuguesa. Brilhante, já despertava olhares mais atentos. Mas, como todo menino pobre, aos 16 anos precisou abandonar o sonho da bola para trabalhar e ajudar a mãe no sustento da casa. Órfão de pai aos 8 anos ele e os irmãos tiveram que pegar no batente para sobreviver.

Mas Dener não perdia as esperanças. Embora tivesse que abandonar a Lusa, passou a estudar pela manhã, trabalhar à noite e jogar futebol Salão de Salão por cachê na Vila Mariana, pelo Colégio Bilac, onde foi campeão em torneios Intercolegiais como a Copa D'anup - Jovem Pan.

Em 1988, Dener voltou a treinar nas categorias de base da Portuguesa, após uma passagem frustrada de dois meses pelo Tricolor Paulista. Para sua sorte, encontrou nessa volta à Lusa o treinador Antônio Lopes que, treinador da equipe sênior, promoveu o jogador à categoria, transformando-o em profissional. 

E não pense que com isso Dener deixou de lado as categorias de base. Seu talento era tamanho que o franzino menino treinava entre profissionais e juniores. Essa dupla jornada, trouxe a Dener não só o reconhecimento de seu talento, como o presenteou com o primeiro título de sua carreira e do clube na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 1991, quando ainda foi eleito o melhor jogador do campeonato.
Destacando-se em campo com um futebol inteligente e bonito, aos 20 anos foi convocado pela primeira vez para vestir a camisa canarinho. Num amistoso com a Argentina, pintou e bordou e foi trilhando um caminho cada vez mais promissor nos gramados. 

Tanto foi o destaque de Dener em sua volta ao futebol profissional que, em 1993, foi emprestado por por três meses ao Grêmio onde conquistou o seu primeiro título numa equipe profissional. No fim do empréstimo, o jogador retornou à Portuguesa para disputar o Campeonato Brasileiro.

Em 1994, ano derradeiro e com grandes chances de ser convocado para o Mundial nos Estados Unidos, Dener foi foi novamente emprestado, agora para o Vasco do Gama, último clube a defender até sua prematura morte.

Destaque também ao defender a equipe carioca, Dener vinha despertando o interesse de clubes estrangeiros. Após uma reunião em São Paulo com a diretoria da Portuguesa e do Stuttgart, da Alemanha,  que negociavam sua transferência, o atleta passou o fim de semana com a família na capital paulistana. Na viagem de volta para o Rio de Janeiro, o carro dirigido por um amigo perdeu a direção e bateu em uma árvora na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Dener, que dormia no banco do passageiro que estava reclinado, foi enforcado pelo cinto de segurança e morreu na hora. Assim, de forma injusta, a vida de um grande craque chegou ao fim. E o futebol brasileiro ficou mais carente.

É fato que ganhamos a Copa em 1994, graças à estrela de Romário. Mas se tivéssemos Dener em campo, certamente, tudo teria sido mais belo e fácil.

Para homenagear o jogador, empresto as palavras do mestre Armando Nogueira que, com genialidade, descreveu com mais propriedade quem foi Dener.

A morte silencia os pés de Dener (Armando Nogueira)

Pés polêmicos. Angelicais.
Não o conheci pessoalmente. Conheço-o, apenas, de colossais cintilações com a bola. Vi-lhe, porém, mil vezes, o rosto na televisão. Tinha olhos de desenho animado. Redondinhos. Duas bolinhas de meia. Levemente, tristes. Olhar de drible. Dissimulado de quem pressentia um golpe traiçoeiro da vida. Morreu dormindo. Só assim mesmo: desperto, teria driblado o destino.
Desde Garrincha, ninguém driblou neste mundo com a graça e a audácia de Dener. Oferecia a bola, sonso e doce manjar. O rival, de bote armado. Infausta missão. Dener saía, fogoso, fagueiro, a versejar com a bola, sua musa. Ela, só dele. Se não era poeta, Dener jogava um futebol poético. Seus dribles hão de pulsar sempre no meu peito que, agora, se consome de tristeza.
É mais uma alegria que se vai do futebol. Como tantas que se foram noutros pés, agora, relembrados, com infinda saudade. Pés poéticos, que reiventaram a árida geometria do futebol. Quando o via a driblar e fintar meio mundo, eu me perguntava, morto de inveja: de que servem meus pés, se Deus não me ensinou a driblar como Dener?
Consola-me imaginar que o anjo que levou Dener deste mundo é o mesmo que alçou os pés de Garrincha, no vôo derradeiro.
Consola-me saber que, enfim, Dener está liberto de chuteiras, de escudos, de críticas, de palmas, de bandeiras. Consola-me, Dener, saber que driblarás, agora, sem tensão,  no silêncio do teu céu. Como Canhoteiro, jogarás de pés descalços. Como Garrincha, peito nu. Intangíveis feito a tarde musical dos campos em delírio.
Três anjos do futebol celestial.
Confesso que tu partes, Dener, sem me ter feito um grande favor. Sempre esperei de ti que, um dia, ainda haverias de driblar, de uma vez, os dois times de um mesmo jogo: o teu e o dos outros; e que haverias de entrar, magnífico, com bola e tudo, nos dois gols, ao mesmo tempo. Porque tua bola, anjo Dener, sempre rolou acima do bem e do mal. Nem derrota, nem vitória. Só devaneio. Tua bola nunca foi a bola dos homens, que é meio de vida. Tua bola sempre foi e será a bola dos meninos, que é fantasia, apenas.
Teus troféus, que eu saiba, foram todos esculpidos no tempo e no vento. Na pureza da grama que florescia de teus dribles. Flor de tantas relvas por teus pés pisadas.
E porque me lembras outro menino, na efêmera eternidade de um drible, despeço-me de ti, com a mesma prece com que me despedi de Garrincha:
Onde quer que estejas, cuida bem de ti, porque, um dia, hás de voltar à brisa dos campos como a lua que volta ao pátio dos poetas.